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O que foi discutido na Web Summit 2022?

7 Novembro 2022, By Catarina Oliveira, Diretora da Canela Portugal

Com mais de 70.000 participantes, 2.000 expositores e uma extensa agenda de apresentações que se prolongou ao longo de quatro dias, a Web Summit 2022 confirmou a recuperação deste grande evento tecnológico do sul da Europa. Não faltaram as grandes empresas tecnológicas nem visitantes do mais alto nível, desde a Rainha da Jordânia até ao intelectual Noam Chomsky, com a abertura a cargo de Olena Zelenska, primeira-dama da Ucrânia. Mas do que se falou nas apresentações, nos stands e nos corredores? Aqui está um resumo.

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A Web3 pode mudar tudo

Se no ano passado os protagonistas foram as criptomoedas e o metaverso, nesta edição da Web Summit 2022 a palavra mais repetida foi Web3. Mas o que é exatamente? Se a Web1 foi caracterizada pelas hiperligações e a Web2 pelas redes sociais, na Web3 as tecnologias predominantes serão a blockchain e os tokens não fungíveis (NFT). 

Isto implica uma transformação drástica no ambiente online, com uma rede muito mais descentralizada e em que os utilizadores e criadores de conteúdo terão um controlo maior. Pelo menos foi o que asseguraram no evento empresas com a Binance, muito envolvida nesta transformação que ameaça alterar o atual equilíbrio da Internet.

Os novos horizontes da IA

Uma tendência repetente no palco principal na edição deste ano da Web Summit é a inteligência artificial (IA). Enquanto que a Amazon explicou como a está a integrar no nosso dia-a-dia através da chamada “inteligência ambiental”, outras empresas querem levá-la mais além através da combinação com outras tecnologias. 

A Big Data, a aprendizagem automática e o metaverso vão possibilitar novas aplicações para a IA. As possibilidades vão desde a robotização das atividades industriais e agrícolas, à criação de conversas relevantes com as marcas nas redes sociais. Ou até metahumanos que serão os nossos gémeos digitais no mundo virtual!

Tecnologia que marca a diferença

Antecipando estas inovações que vão transformar as nossas vidas, na Web Summit 2022 também se falou muito do papel da tecnologia nos desafios atuais, desde as alterações climáticas à guerra na Ucrânia. Enquanto a esposa de Volodímir Zelenski denunciava como a Rússia usa os drones ou os ciberataques para levar a destruição a novas áreas, tivemos a oportunidade de ver aplicações mais esperançosas da tecnologia. 

Por exemplo, como as fintech estão a contribuir para o desenvolvimento nos países africanos, o impulso da mobilidade 3D para aliviar o congestionamento do tráfego nas cidades (com drones de entrega de mercadorias, táxis aéreos e até jetpacks) ou o impulso para a desconexão digital para recuperar o equilíbrio mental e reduzir o impacto climático da tecnologia.

Do greenwashing ao sportswashing

O marketing digital esteve muito presente na Web Summit 2022, com sessões dedicadas a clarificar a fina linha vermelha entre as ações de RSC e o greenwashing corporativo. Também se falou do chamado “sportswashing”, um tipo de greenwashing relacionado com o desporto que este ano está muito atual devido a eventos polémicos como os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim ou o próximo Mundial de Futebol no Qatar.

Ao mesmo tempo, as marcas têm que refletir sobre como vão adaptar-se às novas tendências tecnológicas, desde a IA ao metaverso, sem repetir os erros do passado. Empresas como a Disney e a Lego partilharam as suas experiências no mundo digital, enquanto que a Onlyfans contou os seus planos para mostrar que a sua plataforma vai mais além de conteúdo para adultos e fazer frente a novas ameaças como a paywall para vídeos que Elon Musk, nome que soou muito durante o evento, quer adicionar ao Twitter.

 

América Latina, território startup

Com a presença de mais de 1.400 investidores internacionais, a Web Summit de Lisboa não é apenas um evento tecnológico, mas também uma ótima montra para as startups. Os participantes puderam aprender as chaves para se tornarem unicórnios pela voz de empreendedores como Nikolay Storonsky, CEO da fintech Revolut, para além de conhecerem iniciativas como a Unicorn Factory Lisbon, para atrair empresas à capital portuguesa.

Mas sem dúvida que foram as startups da América Latina aquelas que despertaram uma maior expectativa. Na última década, os investimentos de capital de risco multiplicaram-se por quatro e a região começou a emergir em áreas como a fintech, a agrotech e a edtech. Por isso, o evento terá edição latinoamericana no próximo ano, a Web Summit Rio 2023.

Qual achas que é hoje em dia o melhor evento tecnológico na Europa? Partilha e comenta nas redes sociais!

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Por Catarina Oliveira, Diretora de Canela Portugal
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