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Como distanciar a tua agência das ‘fake news’

20 Janeiro 2022, By Paula Valdés, Junior Account Executive na Canela

Estes são os cinco traços de notícias falsas que cada agência deve evitar nos seus comunicados

As agências de comunicação estão em contacto constante com os meios de comunicação e são uma fonte de informação para muitas das notícias que lemos todos os dias, mesmo que o leitor por vezes não tenha conhecimento disso. Isto significa que os comunicados que lançamos devem ser adaptadas ao estilo jornalístico e às tendências do momento. Se nos últimos anos o maior problema noticioso tem sido as fake news, o que podemos nós, entanto agências de comunicação, fazer para evitar contribuir para este fenómeno e para encorajar os meios de comunicação social com quem trabalhamos a não o fazer?

As fake news têm certas características definidas por vários autores, tais como Blázquez-Ochando e Alandete, e é precisamente estas características que devemos evitar na nossa informação:

1. Alteração dos factos em diferentes graus

Esta é a principal característica das notícias falsas: contar meias verdades. Para além das implicações éticas de não se manter fiel à verdade, é importante que a agência comunique toda a informação relevante (e não confidencial, claro), de forma ordenada e de acordo com os valores dos nossos clientes, mas real. Para além de ajudar o jornalista a escrever um relatório completo, a agência ganhará a confiança do jornalista e, portanto, a dos leitores.

2. Discurso superficial nas notícias

As notícias falsas carecem de informação, não desenvolvem questões em profundidade porque não têm dados ou fontes suficientes para formar uma narrativa completa. Por esta razão, existe uma escassez de texto e mistura de diferentes temas. Ao escrever o conteúdo, a agência deve assegurar-se de que possui fontes que apoiam os factos para além dos clientes, por exemplo, através de estudos ou inquéritos realizados por terceiros. A chamada “Third Party Endorsement”. Devemos também dar uma resposta aos 5Ws no conteúdo para que os jornalistas possam relatar com rigor e qualidade.

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3. Discurso emocional primário com vocabulário e recursos linguísticos propícios a passar mensagens enganosas, exageros, hipérboles e circunlóquios

Não devemos esquecer que, embora as emoções sejam um dos principais instrumentos de comunicação e nos permitam estabelecer contactos com o público, como profissionais da informação devemos evitar utilizar uma linguagem pouco rigorosa e recursos linguísticos que deem origem a mal-entendidos. Além disso, este discurso está próximo do sensacionalismo e de práticas que não são recomendadas na publicidade e no marketing, e que devem ser também evitadas informação jornalística.

4. Manchetes que são (demasiado) curtas e chocantes

Captar a atenção do público é essencial para transmitir uma mensagem; contudo, isto não deve significar sacrificar a verdade. O fenómeno do clickbait envolve, frequentemente, a manipulação de informação, tentando capturar o leitor com um único elemento descontextualizado. Usar manchetes e subtítulos e responder aos vários W’s na manchete pode ajudar a garantir que, para além de captar a atenção, não se perde o rigor.

5. Imediatismo da informação

Com os novos canais, a informação é exigida cada vez mais rapidamente e, muitas vezes, parte dela não é revelada. O planeamento de um envio é fundamental neste caso: estar em contacto com o jornalista num fluxo constante de informação e fornecer todos os dados disponíveis ajuda a garantir que o trabalho de qualidade é realizado desde o primeiro momento. Se o jornalista tiver de recorrer a outras fontes menos fiáveis devido à falta de informação, isso prejudicará a agência e as suas relações com o jornalista, além de dar origem a notícias falsas. Não esqueçamos que as fake news incluem informações verdadeiras para ganhar a confiança dos seus leitores.

A forma como as notícias são feitas muda à medida que a informação ganha proeminência na web e os meios de comunicação social adaptam a sua produção às métricas do online, dando prioridade ao imediato e aos cliques acima do rigor e verificação, o que tem contribuído gradualmente para a distribuição massiva de notícias falsas. No entanto, as novas formas de chegar ao público não estão em desacordo com a qualidade. As agências podem aplicar práticas que não contribuem para a desinformação, mas sim para um ecossistema mediático caracterizado pelo rigor e profissionalismo.

Para saber mais informações sobre como identificar fake news, pode consultar este outro artigo em Canela Insights.