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CLUBHOUSE E A VOZ COMO FERRAMENTA PARA CONECTAR O PÚBLICO

25 Fevereiro 2021, By Dianne Vegas, Head of Consumer na Canela

Partilhar e disponibilizar conteúdos de qualidade passou a ser o nosso dia-a-dia, e esse é justamente um dos alicerces da nova rede social que chegou em força ao mercado: o Clubhouse. Com quase um ano de vida, esta plataforma baseada nas notas de voz que pertence a dois ex-funcionários da Google conseguiu ganhar mais de 2 milhões de utilizadores ativos por todo o mundo. Se compararmos com outras redes sociais (Facebook 2.740 milhões, YouTube 2.291 milhões…), dirá que é um número insignificante e que ainda tem um longo caminho a percorrer, mas e se eu lhe disser que nas últimas duas semanas de janeiro dobrou o número de utilizadores?

As chaves do sucesso

O funcionamento do Clubhouse é muito simples. A partir dos áudios, o conteúdo é organizado em diferentes salas de chat, onde podem estar até 5.000 pessoas. Há a figura do moderador, palestrante e público ouvinte, para debater de forma descontraída temas tão diversos como poesia, música, física, moda, desporto …

Essa nova rede social chega para transformar a forma como comunicamos através de conteúdos efémeros, preenchendo assim um buraco que ninguém tinha reparado que existia, e completando um ecossistema dominado por assistentes de voz, audiolivros, podcasts … Tudo isso confirma que também precisamos de plataformas que possamos combinar com o nosso estilo de vida agitado e que não precisem de captar 100% da nossa atenção, como é o caso do Twitch, por exemplo. Em junho de 2020, o Twitter já incluía a opção de partilhar tweets na forma de uma nota de voz.

Por outro lado, os criadores do Clubhouse souberam jogar muito bem com os nossos sentimentos, com aquele medo de perder o que está a acontecer, de que todos falam. A aplicação é baseada em exclusividade e só pode ser acedida através de um convite de outro membro ou por lista de espera, algo que lembra os primórdios do Spotify.

Canela

Um novo formato para meios e marcas

Os primeiros a usar a plataforma foram celebridades e empreendedores, mas agora já existem muitos utilizadores do Clubhouse. E não é segredo para ninguém que os meios de comunicação e as marcas procuram adaptar-se às diferentes plataformas em que o seu público se encontra. Por isso, um meio como El Economista, em Espanha, não tardou a juntar-se a esta grande comunidade, sendo o primeiro a fazê-lo, onde tem uma sala própria com palestras diárias para debater temas da atualidade. Em Portugal, os meios de comunicação ainda não estão a aderir ativamente mas já muitos jornalistas se juntaram à festa.

No caso das marcas, surge uma nova oportunidade para manterem contacto com os utilizadores de forma mais espontânea. É uma área ainda pouco explorada o que revela que ser o primeiro e o mais criativo não é tarefa difícil.

Sem dúvida é o lugar perfeito, seja para as marca ou para os meios, se o objetivo for procurar parcerias estratégicas, conversar sobre projetos / investimentos ou simplesmente formar e expandir a sua comunidade.

O futuro

O próximo passo para esta nova plataforma é também estar disponível para outros sistemas operacionais como o Android e, assim, expandir o público. Além dessa disponibilidade, os criadores da aplicação estão a trabalhar na forma como podem dar aos utilizadores acesso a conteúdo premium, o que por sua vez pode gerar uma compensação económica para os criadores de conteúdo mais ativos, algo que ficaria muito em linha com o Patreon, por exemplo.

Resumindo, as possibilidades desta nova rede social são infinitas, mas teremos que esperar para ver como ela evolui e como os meios e as marcas se juntam de forma criativa para atrair a atenção do seu público. E, como sempre, quando nasce um novo formato, chegam novos concorrentes, por isso também não perderemos o rasto do Fireside , plataforma semelhante que chegará ao mercado neste ano de 2021.